Sublimar...



Às vezes, na estranha tentativa 
de nos defendermos da suposta
 visita da dor, soltamos os cães.
 Apagamos as luzes.
 Fechamos as cortinas. 
Trancamos as portas com chaves, 
cadeados e medos. Ficamos quietinhos,
 poucos movimentos, nesse lugar escuro
 e pouco arejado, pra vida não
 desconfiar que estamos em casa.
 A encrenca é que, ao nos protegermos 
tanto da possibilidade da dor,
 acabamos nos protegendo também 
da possibilidade de lindas alegrias. 
Impossível saber o que a vida 
pode nos trazer a qualquer instante, 
não há como adivinhar 
se fugirmos do contato com ela, 
se não abrirmos a porta.
 Não há como adivinhar e, se 
é isso que nos assusta tanto, 
é isso também que nos dá esperança.

- Ana Jácomo -