Dia 30 Janeiro comemora-se o dia da SAUDADE...




Trancar o dedo numa porta dói.
Bater com o queixo no chão dói.
Torcer o tornozelo dói.
Um tapa, um soco, um pontapé, doem.
Dói bater a cabeça na quina da mesa,
 dói morder a língua,
dói cólica, cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói é a saudade.

Saudade de um irmão que mora longe.
Saudade de uma cachoeira da infância.
Saudade de um filho que estuda fora.
Saudade do gosto de uma fruta
 que não se encontra mais.
Saudade do pai que morreu, do amigo
 imaginário que nunca existiu.
Saudade de uma cidade.
Saudade da gente mesmo, 
que o tempo não perdoa.
Doem essas saudades todas.

Mas a saudade mais dolorida é 
a saudade de quem se ama.
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Você podia ficar na sala e ela no quarto,
 sem se verem, mas sabiam-se lá.
Você podia ir para o dentista e ela para
 a faculdade, mas sabiam-se onde.
Você podia ficar o dia sem vê-la, ela 
o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã.
Contudo, quando o amor de um acaba, 
ou torna-se menor,ou quando alguém 
ou algo não deixa que esse amor siga,
Ao outro sobra uma saudade que 
ninguém sabe como deter.
Saudade é basicamente não saber.
Não saber mais se ela continua fungando
 num ambiente mais frio.
Não saber se ele continua sem fazer a 
barba por causa daquela alergia.
Não saber se ela ainda usa aquela saia.
Não saber se ele foi na consulta com o 
dermatologista como prometeu.
Não saber se ela tem comido bem 
por causa daquela mania
de estar sempre ocupada;
se ele tem assistido às aulas de inglês,
se aprendeu a entrar na Internet
e encontrar a página do Diário Oficial;
se ela aprendeu a estacionar entre dois carros;
se ele continua preferindo Malzebier;
se ela continua preferindo suco;
se ele continua sorrindo com aqueles
 olhinhos apertados;se ela continua dançando 
daquele jeitinho enlouquecedor;
se ele continua cantando tão bem;
se ela continua detestando o MC Donald's;
se ele continua amando;
se ela continua a chorar até nas comédias.

Saudade é não saber mesmo!
Não saber o que fazer com os dias 
que ficaram mais compridos;
não saber como encontrar tarefas 
que lhe cessem o pensamento;
não saber como frear as lágrimas
 diante de uma música;
não saber como vencer a dor de 
um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber se ela está
 com outro, e ao mesmo tempo querer.
É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo 
perguntar a todos os amigos por isso...
É não querer saber se ele está mais magro,
 se ela está mais bela.
Saudade é nunca mais saber de quem
 se ama, e ainda assim doer;

Saudade é isso que senti enquanto 
estive escrevendo e o que você,
provavelmente, está sentindo agora 
depois que acabou de ler...


- Miguel Falabella -